segunda-feira, 1 de março de 2010

O menino que domou o vento

Com dois livros de física elementar, um monte de lixo e a energia eólica, jovem abastece lâmpadas e celulares em sua vila no interior da África.

Em: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG87218-8489-221-1,00-O+MENINO+QUE+DOMOU+O+VENTO.html



Escondido entre Zâmbia,Tanzânia e Moçambique, o Malauí é um país ruralcom15 milhões de habitantes. A três horas de carro da capital Lilongwe, a vila de Wimbe vê um garoto de 14 anos juntando entulho e madeira perto de casa. Até aí, novidade nenhuma para os moradores. A aparente brincadeira fica séria quando, dois meses depois, o menino ergue uma torre de cinco metros de altura. Roda de bicicleta, peças de trator e canos de plástico se conectam no alto da estrutura e, de repente, o vento gira as pás. Ele conecta um fio, e uma lâmpada é acesa. O menino acaba de criar eletricidade.

O menino e a importância de suas descobertas cresceram. William Kamkwamba, agora com 22 anos, já foi convidado para talk shows, deu palestras no Fórum Econômico Mundial, tem site oficial, uma autobiografia - The Boy Who Harnessed the Wind (O Menino que Domou o Vento, ainda inédito no Brasil) - e um documentário a caminho. O pontapé de tamanho sucesso se deve a uma junção de miséria, dedicação, senso de oportunidade e uma oferta generosa de lixo.
Uma seca terrível no ano 2000 deixou grande parte da população do Malauí em situação desesperadora. Com as colheitas reduzidas drasticamente, as pessoas começaram a passar fome. "Meus familiares e vizinhos foram forçados a cavar o chão pra achar raízes, cascas de banana ou qualquer outra coisa pra forrar o estômago", diz Kamkwamba. A miséria o impediu de continuar na escola, que exigia a taxa anual de US$ 80. Se seguisse a lógica que vitima muitos rapazes na mesma situação, o destino dele estava definido: "Se você não está na escola, vai virar um fazendeiro. E um fazendeiro não controla a própria vida; ele depende do sol e da chuva, do preço da semente e do fertilizante", diz Kamkwamba.

Para escapar dessa sentença, começou a frequentar uma biblioteca comunitária a 2 km de sua casa. No meio de três estantes com livros doados pelo Reino Unido, EUA, Zâmbia e Zimbábue, Kamkwamba encontrou obras de ciências. Em particular, duas de física. A primeira explicava como funcionam motores e geradores. "Eu não entendia inglês muito bem, então associava palavras e imagens e aprendi física básica." O outro livro se chamava Usando Energia, tinha moinhos na capa e afirmava que eles podiam bombear água e gerar eletricidade. "Bombear um poço significava irrigar, e meu pai podia ter duas colheitas por ano. Nunca mais passaríamos fome! Então decidi construir um daqueles moinhos."

Você está fumando muita maconha. Tá ficando maluco." Era isso que Kamkwamba ouvia enquanto carregava sucata e canos para seu projeto. "Não consegui encontrar todas as peças para uma bomba d'água, então passei a produzir um moinho que gerasse eletricidade." Seu primo Geoffrey e seu amigo Gilbert o ajudaram, e após dois meses as pás giravam. O gerador era um dínamo de bicicleta que produzia 12 volts, suficientes para acender uma lâmpada. As pessoas próximas a ele só acreditaram em sua conquista quando ele ligou um rádio, que na hora tocou reggae nacional. "Fiquei muito feliz. Finalmente as pessoas reconheceram que eu não estava louco."
"Conseguimos energia para quatro lâmpadas, e as pessoas começaram a vir carregar seus celulares", diz. No Malauí, a companhia telefônica se recusou a fornecer infraestrutura para as vilas, e as empresas de celulares chegaram com torres de transmissão e baratearam os aparelhos. Por isso, hoje há mais de um milhão de aparelhos celulares no país, uma média de oito para cada cem habitantes.

A história chegou aos ouvidos do diretor da ONG que mantinha a biblioteca. Ele trouxe a imprensa, e o menino foi destaque no jornal local. E daí alcançou o diretor do programa TEDGlobal, uma organização que divulga ideias criativas e inovadoras que convidou Kamkwamba para uma conferência na Tanzânia. O jovem aumentou o primeiro moinho para 12 metros de altura e construiu outro que bombeia água para irrigação. "Agora posso ler à noite, e minha família pode irrigar a plantação", diz.

Depois de cinco anos, com ajuda daqueles que descobriram sua história, Kamkwamba voltou à escola. Passou por duas instituições no Malauí, estudou durante as férias no Reino Unido e agora cursa o segundo ano da African Leadership Academy, instituição em Johannesburgo que reúne estudantes de 42 países com o intuito de formar a próxima leva de líderes da África.

Apesar de não ter mudado em nada a sua humildade, o sucesso e as oportunidades de estudo tornaram mais ambiciosos os planos de Kamkuamba: "Quero voltar ao Malauí e botar energia barata e renovável nas vilas. E implementar bombas d'água em todas as cidades. Em vez de esperar o governo trazer a eletricidade, vamos construir moinhos de vento e fazê-la nós mesmos".

Ricardo Santos // fotos: Tom Rielly

Entrevista com William Kamkwamba: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/1,,EDG87250-8489,00.htmL

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fórmula 1 Sustentável

Na seqüência da recente turbulência na Fórmula 1 decorrentes do alto custo de funcionamento das equipes de corridas, motor competitivo, patrocinadores e dúvidas na mente sobre o valor comercial do seu envolvimento, a viabilidade das corridas de automóveis está a ser criticamente questionada.

Com isto em mente o Warwick Innovative Manufacturing Research Centre (WIMRC), parte da Universidade de Warwick, estão a tentar provar à indústria automobilística que é possível construir um carro de corrida competitivo utilizando componentes ambientalmente sustentáveis.

O novo carro de corrida WorldFirst é uma forma inteligente de pensamento sustentável. É a primeira fórmula 3 de carro de corrida concebida e realizada a partir de materiais sustentáveis e renováveis.

O WorldFirst carro de corrida de F3 é patrocinado pela Innovative Warwick Manufacturing Research Centre (WIMRC).

Warwick Manufacturing Group (WMG) & Warwick Innovative Manufacturing Research Centre (WIMRC)

Originalmente criado em Outubro de 2001, o Warwick Innovative Manufacturing Research Centre (WIMRC) da Universidade de Warwick desenha sobre os recursos de vários departamentos e aplica design, tecnologia e pesquisa em gestão de problemas difíceis de resolver.

Como o carro de corrida WorldFirst F3, todos os projetos são importantes para fornecer soluções comercialmente viáveis que atendam as necessidades futuras do Reino Unido e das empresas concorrentes no mercado global.

A Engineering and Physical Sciences Research Council (EPSRC) financia com o apoio suplementar e colabora no projeto.


Componentes:

Carenagem (parte externa) - a maior parte é de fibra de carbono reciclada, mas também são usados amido de batata e fibra de linho; algumas peças também têm fibra de vidro e resina de garrafas recicláveis.

Assento - espuma de óleo de soja, fibra de linho e poliéster reciclado.

Volante - polímero derivado de cenoura e raízes comestíveis.

Radiador - revestido de um catalisador que converte ozônio em oxigênio.

Lubrificantes - derivados de óleos vegetais.

Motor - modelo de dois litros, movido a biodiesel, mas que também pode funcionar com óleos vegetais e, claro, chocolate.


Em: http://www.sustentabilidades.com.br/curiosidades_7.html
Mais informações em: http://www.worldfirstracing.co.uk/

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Me rendo!

Eu sempre achei meio patético (desculpe a sinceridade) a mania dos fãs do filme Guerra nas Estrelas de se fantasiar e viver a vida real como se, de fato, tivessem um sabre de luz que fosse salvá-los de Darth Vader.

Festa de Mangá, gente vestida de desenho japonês, espadas e afins sempre me pareceram um tanto babaca.

Nunca gostei de filme de ficção. Acho Alien um porre, detesto Guerra nas Estrelas (por sinal, a trilogia, no auge de minha paciência, foi assistida consecutivamente...) e nunca tive saco para Contatos Imediatos de Terceiro Grau. O máximo da ficção que gosto é E.T.

Daí veio Avatar...

Na primeira vez que vi a foto do smurf tecnológico pensei: “eu?? Sem chances de ver esse filme.”

O que aconteceu daí em diante foi basicamente:

1. Amigos que disseram que eu tinha que ver o filme por causa da temática ambiental. Eu: que nada, já vi Wall-e!
2. Uma amiga-irmã que odeia tecnologia foi ver e me disse que o filme superou as expectativas dela. Eu: que expectativas eu tenho com esse filme?
3. Blogs que acompanho e que tratam do tema Sustentabilidade escrevendo sobre Avatar. Eu: nem vou ler para não me influenciar.

Veredito final: tive que ver o filme!

Lá fui eu, sem expectativas em relação aos efeitos do filme, mas doida para saber como eles tratariam o que, algumas vezes, parecer ser uma realidade inevitável: a destruição do meio ambiente (Definição de Meio Ambiente da ISO 14001:2004 sobre meio ambiente: “circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo-se ar, água, solo, recursos naturais, flora fauna, seres humanos e suas inter-relações.”).

Bom, desconsiderando o fato de eu ter me tornado um ser semi patético que, apesar de não querer sair na rua pintado de azul, queria muito ser um Na’vi, não existe como não se encantar com o filme.

Podem achar que o filme é clichê, piegas ou até xiita. Mas nada do que é tratado no filme é irreal ou inimaginável.

A conexão do Na’vi com a terra e com os animais é real.

A destruição do meio pelo homem é real.

A guerra promovida pela impaciência e inflexibilidade do homem é real.

Os tanques de guerra são reais.

A população fugindo da guerra e sendo devastada é real.

A ganância do homem é real.

A natureza se voltando contra o homem é real.

E isso foi para mim o aspecto mais interessante do filme. É difícil acreditar em um mundo com montanhas voadoras, mas é muito fácil imaginar o homem indo devastar outro mundo porque o seu simplesmente acabou.

Os chamados países desenvolvidos não fazem isso com os países de 3º mundo?? Quando acabam seus recursos eles não vão montar suas fábricas poluentes em países sem leis rígidas e ávidos por qualquer possibilidade de melhoria de vida (ainda que só na vida dos governantes)?

Então, qual é a falta de realidade de Avatar? Porque não considerá-lo um drama à um filme de ficção cientifica?

Eu me rendi a Avatar e, patética que sou, queria muito poder deitar na Árvore das Almas e me transformar para sempre em um Na’vi. Pelo menos assim eu não teria que convencer meu chefe de que Sustentabilidade não é marketing...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

ps

Para apoiar em meu desabafo anterior:

www.akatu.org.br/central/notícias/2010/e-chique-ser-sustentavel

Desabafo

"Desculpe senhora, mas não informamos preços por telefone".

Dá vontade de perguntar: "E você acha mesmo que o fato do cliente estar te olhando no momento da informação vai mesmo garantir a compra, independente do preço??"

Sim, existe sempre a possibilidade da simpatia do(a) atendente comover o cliente ou até mesmo de se fechar outras formas de pagamento que suavizem o valor.

Mas tenha fé!

Não passar o preço por telefone significa fazer com que eu gaste meu precioso combustível para correr o risco de chegar à loja e dizer um lindo "não, obrigada!".

Sei que sou exigente e (até) mal humorada, principalmente quando não sou bem atendida. Mas, acima de tudo, me considero bem consciente na hora de escolher meus produtos e serviços. Ter que sair só para checar um preço é impensável nos dias de hoje!

Por isso, me dizer que preço só pessoalmente é o mesmo que dizer que não está preparado para me atender!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Feliz 2010 para todos!

Ano novo com nada (ainda) de novo. Sem tempo para escrever, posto uma tirinha do site Malvados para alegrar o retorno ao trabalho!